Obituário
Se começarmos a contar a partir do Direto de Roma, então nesta semana o blog está de aniversário. Com certeza, está de funeral. Macabro, né? Parece um filme de terror dos anos 80. Assopre as velinhas... você está morto!
Mas estou divagando.
O que eu quero dizer é que este é o ultimo post do resto de nossas vidas (ok, os filmes dos anos 80 tomaram conta do texto).
Acredito que um ano tenha sido mais que suficiente para dar uma idéia, um gostinho, uma noção do que é a vida em Roma, ou pelo menos a vida desta que vos escreve.
Então o Feito Num Dia acaba aqui, antes de entrar em sua fase de decadência, que tão bem combinaria com o cenário romano mas não me traria satisfação alguma.

Não sei o que dizer, despedidas são assim mesmo. Pensei em um texto longo e meloso, sobre como eu gostaria de ter deixado, através de cada frase digitada, um pouquinho de mim em cada leitor. Argh. Putz. Não. Então pensei em um post curto e agressivo, um fluxo de consciência furioso e desesperado, sobre como a exposição diária diante de desconhecidos vem arranhando minha alma e... blah blah blah. Bobagem, também.
Para mim, a experiência superou qualquer expectativa. Com a auto-estima que conquistei posso adiar a terapia por mais um ano, oba. Mas o mais legal foi poder explicar, detalhadamente, as semelhanças e incongruências que se apresentam quando você troca de pais. Auto-análise e utilidade pública, dois em um, wow. Se for citar nomes vou acabar sendo injusta com alguém, então agradeço muito sinceramente a todo mundo que leu, gostou e participou. Para quem não gostou, deixo um sentido e derradeiro “vá à merda”.

Oh, e de qualquer forma vocês não vão se livrar de mim tão facilmente. Ainda vão me ler por ai. E qualquer coisa, gritem. Sempre. Griitar é ótimo.
Esculturas no pé
Interessantes, mas não muito práticas. Assim são as criações do shoe artist Joseph Debach, que expõe e vende no vicolo del Cinque, 19.






fotos: minhas

Mais informações no site do estilista/escultor: www.josephdebach.com
Vitrine



foto: minha.

Via di Ripetta. Atelier de fabricação e conserto de bonecas.
Centro - bairro, 19 horas
Em um post do ano passado, eu criei um personagem fictício que chamei de Velha do Ônibus.
Não é fictício porque não exista, mas porque existe de várias formas. Ela resume em si todas as velhas de todos os ônibus da Itália, ela inclui a Velha que Reclama dos jovens, a Velha com Cachorro, a Velha Racista que implica com os estrangeiros, a Velha com Casaco de Peles e a Velha que Puxa Papo.

Como a que eu encontrei uma destas tardes, no fim da linha do 44, quando sem pensar deixei subir antes de mim uma senhora de idade indefinida, mas que com certeza havia passado dos 70.
Tinha olhos muito azuis e mãos muito cuidadas. Há muitíssimo tempo, devia ter sido uma mulher bonita. Ela sentou à minha frente e começou o assunto perguntando se eu era casada. Desistindo de escutar meu Ipod, respondi que morava com meu namorado.

A partir dali, a Velha considerou que estava dada a largada e começou a contar a história da sua vida.
Em loop.
Chegava num ponto e voltava ao início.
Acho que a madame se enquadrava em duas categorias: Velha que Puxa Papo, e Velha Levemente Caduca.

Pertencia a uma família nobre, ao menos foi o que disse. Não riquíssima, mas nobre, inclusive de coração. Ela contou que durante a II Guerra seus pais teriam ajudado a esconder, no palacete onde moravam, uma família judia e um oficial do exército americano.
Contou que queria ter sido atriz, mas que por volta de 1935 os pais a proibiram de voltar aos palcos, porque durante uma peça alguém no público a chamou de “gostosa” aos berros.
Contou também que depois de ficar viúva não conseguiu se apaixonar por mais ninguém, mesmo tendo sido cortejada por homens poderosos. “Hoje eu poderia andar de carro oficial.”
Poderia mas não andava, andava de ônibus e teria engatado a quarta rodada da história se não tivesse tido que descer, numa zona chique de Monteverde Vecchio. Fiquei olhando ela caminhar.
...
Eu moro em Monteverde Nuovo, o primo pobre, ou classe média, do outro. Desci umas quatro paradas depois e não consegui parar de pensar na Velha até hoje, quando sentei aqui e escrevi este post.
I'll...
Adeus mundo cruel
Sim. Eu cometi nerdicídio e saí do orkut.

A vida é um vazio inútil e estamos sós no universo, mas isso não explica a atração do homem por comunidades como Palmito pupunha São Cassiano, Soja Não Existe!, Eu odeio encher fôrma de gelo ou Uma porrada de batatas.

Acredito que dois anos vasculhando profiles tenham me fornecido um panorama suficientemente amplo da idiotice humana, e que hoje eu já possa abrir mão deste e de outros hábitos insalubres. Como, por exemplo, participar de todas as comunidades acima.
Alien vs. Predador
Ontem, sete e meia da noite.
De um camelô feio, sujo e malvado, para seu colega tão feio quanto, recolhendo suas quinquilharias:

Camelô- Hoje às nove e quinze vão passar um filme na tevê... Os Dois Ladrões!

Pois é. Ontem metade da Itália parou para assistir ao cara-a-cara entre Romano Prodi e Silvio Berlusconi, candidatos a primeiro ministro. Faltam três semanas para as eleições e a opinião geral é que para o atual chefe do governo está sendo cada vez mais difícil manter seu sorriso forçado de vendedor de carros usados.

Eu assisti ao match na casa de uma amiga, com um pessoal, algumas pizzas e muita cerveja. O debate em si foi chato. O Berlusconi estava usando bastante pó bronzeador (não tenho informações sobre outros tipos de pó) que em vez de lhe dar um ar saudável o deixava amarelo como um Simpson. Quando falava não fazia nada além de listar dados e números para provar que fez mais do que roubou. Já o Prodi, apesar de ter argumentos melhores, possui uma voz que induz à sonolência.

Este ano, pela primeira vez, vão votar também os cidadãos italianos residentes no exterior.
Alguém ai tem cidadania italiana E opinião formada sobre o assunto?
Milagre
Já faz dois meses que estou freqüentando ativamente uma academia. Mesmo com este friozinho que, a uma semana do inicio oficial da primavera, se recusa a ir embora. Três vezes por semana, eu vou, malho e suo.
Tudo graças às aulas do prof. Aldo – vivas! – o primeiro e único instrutor de ginástica com bom gosto musical. Eu nunca entendi porque, além de morrer suando, dando pulinhos e levantando caneleiras, a gente tem que suportar a terrível trilha sonora de 99% das academias. Por isso eu sempre preferi correr/caminhar no parque com meu walkman/discman/iPod.

Mas eu tenho 30 anos e, como boa forma não vem mais de graça, uma ajuda profissional começa a ser bem-vinda.
Devo portanto torturar meus ouvidos para favorecer meus glúteos?

Graças ao iluminado Aldo, trainer and good music colocator, meus problemas acabaram. Ele percebeu que Chemical Brothers ou Franz Ferdinand dão muito mais pique na hora do aquecimento, clássicos do The Clash constituem o incentivo perfeito para a sessão de abdominais e o alongamento fica mais agradável ouvindo Depeche Mode. Vou arrasar neste verão.

Por falar neste verão... eu tenho planos. Outra hora eu conto.
Outro blog
Em meio a todo o eurotrash destilado pelas celebridades italianas,
acontecem pequenos milagres como o comediante Beppe Grillo. Exilado
voluntariamente da televisão, por puro asco das porcarias que dominam a
programação, o artista lota ginásios por todo o pais com um espetáculo
que é mais raivoso do que engraçado. Por exemplo: ele estimula as
pessoas a utilizarem o Skype e outras tecnologias que permitem telefonar quase de graça, e assim boicotarem as companhias telefônicas. Lê
bulas de remédios para desmistificar produtos inúteis. Manda as
pessoas comerem mais ameixas e tomar menos laxantes.
Comprou uma pagina do New York Times para perguntar a todos os paises
do mundo se algum tinha tantos corruptos no parlamento como a Itália,
e como podíamos nos livrar deles (que eu saiba, o Brasil se manteve discretamente em
silêncio).
Enfim. Tenta fazer com que o publico acorde de sua tapadice.

O blog dele é um dos 10 mais acessados da rede mundial e está
disponível em italiano e inglês (eu nao estou dizendo que vocês são obrigados a saber um destes idiomas): clique aqui.
8 de março
Dia Internacional da Mulher. Há quem goste, há quem o considere o ultimo bastião do machismo. Eu, que trabalho para uma big bad multinacional de publicidade que tem como cliente uma big bad multinacional de cosméticos, ganhei da empresa uma sacolinha cheia de maquiagens e cremes para prevenção de rugas. Acho que o ativismo vai ficar para mais tarde.



Na Itália a flor símbolo de hoje é a mimosa, desde 1946, quando uma associação feminina comemorou o primeiro Dia da Mulher depois do fim da II Guerra. A planta foi escolhida por ser delicada porém resistente.
World Oriented Kitchen
A estação central Termini, de Roma, é uma espécie de rodoviária vitaminada, com McDonald’s e shopping no subsolo. Mas continua sendo uma rodoviária, com tudo o que isso implica: vai e vem de pessoas de todos os tipos, turistas usando sandália com meia, muita gritaria e um que outro bêbado dormindo no chão.



Uma locação insólita para um wine lounge bar com comida étnica.



Porém ele existe e está dando certo. A comida, de inspiração chinesa e thai, é boa e barata e as taças de vinho abundantes. E é divertido ficar ali bebericando e beliscando, enquanto gente carregada de malas passa correndo para não perder o trem.



O W.O.K. fica no subsolo da estação Termini, ao lado da entrada pro metro. Se passar por aqui, experimente.
On air
Ok, a entrevista para o programa brasileiro da Radio France pode ser ouvida aqui:


http://www.rfi.fr/actubr/pages/001/accueil.asp

Nos dez finais minutos do programa 9:30-10 GMT. Fica no ar até amanhã!

Mais uma vez obrigada, Monique.
Romantic escape

Lembram do meu final de semana na Toscana, aquele para comemorar o Valentine’s Day atrasado? Foi uma delícia. Tranqüilidade, privacidade, silêncio. Até demais. Quando na volta acabamos trancados em um saudável engarrafamento, sentimos uma estranha sensação de “volta ao lar”.
O povoado onde ficamos hospedados se chama Castelmuzio.



Na verdade, povoado não é a palavra mais apropriada, já que nunca vi um lugar tão deserto.



Em meio a todo aquele ambiente medieval, cheguei a pensar que virando a esquina apareceria, sei lá, um monge caolho gritando “Fujam, pecadores!”

Também fomos visitar Perugia, onde existe uma universidade para estrangeiros, e onde uma série de cartazes anunciando festas e shows indicavam que além de edifícios históricos, a cidade parece ter uma vidinha noturna interessante. Voltaremos.
Ah sim, alguém comentou que não dá para comemorar o dia dos Namorados sem uma boa comida. Então, antes de fechar o post, preciso mencionar o ravióli com molho de nozes, que não vou esquecer tão cedo. As outras comidas, queridos, são assunto meu.
Acontece
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAii! Que mau humor!
Refletindo
Depois de ver o filme Garden State fiquei com vontade de analisar minha evolução enquanto pessoa, em nível de indivíduo e ser humano*. Então fiz este questionário, parecido com o do post dos trinta anos. A pergunta é: eu posso me considerar adulta ou não?
Não se diz que de criança, velho e louco, todo mundo tem um pouco? Não, eu acabei de inventar, mas não faz mal. Vejamos. Das coisas que faço, qual é a mais...

Mais adulta: viajar sozinha - nada faz você se sentir tão independente como comprar uma passagem aérea só para um

Mais adolescente: gostar de Green Day

Mais infantil: conversar com cachorros

Mais velha decrépita: possuir uma almofada para o pescoço

Mais jovem mulher urbana: fazer brunch com as amigas no domingo

Mais vinte e poucos: ir em shows de indie rock e ficar sacudindo a cabeça na frente do palco

Mais idade da loba: cobiçar os meninos de 17 anos que passam na rua, sabendo que não pode

Mais dona Maria: adorar ir no mercado e comprar tudo o que estiver com precinho bom


* Aviso. Esta é uma ironia. Eu sei que a frase é horrorosa. Fim do aviso.



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