Já faz algum tempo que ando mais fã de escritores do que bandas. Outro irrefutável sinal dos tempos e da minha idade avançada. De fato, tive mais vontade de ir no
festival de literatura de Mantova – cujo bombástico line-up incluía Chuck Palahniuk, Nick Hornby e Joe R. Lansdale, entre outros – do que no Independent Days. Acabei ficando em casa.
Por sorte, numa destas segundas-feiras de chuva que tem feito ultimamente, vi o show do
The Editors.

Uma bandinha inglesa que despertou novamente minha fé no rock (enquanto o novo disco do Franz Ferdinand não vem). E o que é melhor, era de graça. Isso é uma coisa que adoro de Roma: as iniciativas com entrada franca, aproveitando os inúmeros espaços para espetáculos que tem por aqui.
Falando nisso, neste sábado rola a terceira edição da
Notte Bianca – a noite em claro organizada todo ano pela prefeitura. Das oito da noite às seis da manhã tudo funciona, transporte público, resturantes, lojas, como se fosse dia. A cada esquina shows, DJs, exposições, projeções de cinema de todos os estilos: alternativo, erudito,
mainstream, o que for. Pra fechar, café da manhã – sempre, rigorosamente, de grátis – nos principais pontos turísticos, para ver o sol nascer diante dum cappuccino.
Na primeira das noites brancas, em 2003, ficou meio evidente que Deus deve odiar o senhor prefeito, pois caiu um temporal de proporções históricas e teve blecaute total no país inteiro. Um troço totalmente tragicômico. Já no ano passado deu tudo certo, mas eu, como bom gato escaldado, optei por um programa light na casa de uma amiga. Desta vez vou encarar, de preferência até o amanhecer. Depois conto.
Eu já disse, e repito, que não gosto de falar de política.
Por isto este post é sobre propaganda. Por acaso, propaganda eleitoral. A campanha em questão é a de
Fausto Bertinotti, candidato nas próximas eleições pelo partido Rifondazione Comunista, que na prática é muito mais moderado do que o nome deixa supor.
A campanha foi criada por uma pequena agência da cidade de Bari, onde trabalha o Peppe, meu colega no curso de redação publicitária que fiz quando cheguei aqui. Consiste básicamente em
12 milhões e passa de post-its amarelos com o nome do candidato e a palavra
Voglio – quero.
O eleitor está convidado a preencher o espaço que sobra escrevendo algo que desejaria que acontecesse – algo além da vitória de Bertinotti, óbvio. A iniciativa está sendo um sucesso. A maioria dos bilhetinhos foi colada num painel, na quermesse organizada pelo partido, mas os pedidos podem ser vistos por toda Roma. Desde os mais óbvios tipo “quero um mundo mais justo”, àqueles vulgares como “quero comer a Fulana” até os mais prosaicos porém sinceros, como “quero mais lugares para estacionar”. Além dos post-its, foram instaladas cabines, em pontos estratégicos de várias cidades, onde quem quiser pode gravar seu pedido numa série de vídeos que serão veiculados nos próximos meses.
O resultado das eleições ainda é imprevisível e, sinceramente, não me interessa muito, mas estou achando que a carreira do Peppe vai dar uma bela guinada. Maldito. Hahaha.
Aaaaaaah mil coisas para fazer hoje no trabalho. Estar atualizando o blog prova mais uma vez que gosto de viver perigosamente. Mas não muito, por isso são só duas linhas.